Quando se aposentou oficialmente do Tribunal de Justiça de Goiás, em 2003, Maria de Lourdes Borges de Oliveira tinha apenas 51 anos. Mas sua história no Judiciário estava longe de terminar. A pedido da então juíza da Comarca de Joviânia, dra. Flaviah Lançoni, ela permaneceu em atividade por meio de contrato até o final de 2018, acumulando 45 anos de dedicação ao serviço público.
Moradora de Joviânia, cidade onde construiu sua carreira e permanece até hoje ao lado do marido, João Osmar, Lourdes conta que a decisão de deixar definitivamente o trabalho não foi simples. Aos 67 anos, percebeu que era hora de desacelerar.
“Não foi fácil aposentar. Mas me apeguei à minha fé e às minhas orações. Comecei a sentir dificuldade para acompanhar algumas mudanças no trabalho e entendi que era o momento de cuidar mais de mim”, relembra.
A mudança de rotina, porém, não significou ficar parada. Pouco tempo depois, ela assumiu uma missão que transformaria completamente essa nova fase da vida: ajudar a criar os netos.
Ao lado do marido, Lourdes participou ativamente da criação de Luiz Henrique, hoje com 22 anos e estudante de Engenharia Química em Ouro Branco (MG), e de Ana Clara, de 15 anos, que ainda mora com os avós. Os dois são filhos de Mayla, sua filha mais velha. Ela também é avó de Luiza, de 13 anos, filha de Marcos Henrique, que vive com a família em Goiânia.
Para Lourdes, essa convivência diária trouxe uma experiência especial. “Foi uma segunda chance de viver a maternidade. Quando meus filhos eram pequenos, eram outros tempos. A licença-maternidade era muito curta e a correria do dia a dia não permitia acompanhar tudo como eu gostaria. Com os meus netos, tive a oportunidade de viver essa experiência de uma forma diferente”, conta.
Hoje, aos 74 anos, Lourdes divide os dias entre a companhia da família e atividades que lhe dão prazer. Entre elas está o cuidado com as plantas, especialmente as rosas-do-deserto, que cultiva com dedicação e orgulho.
Outra paixão é o bordado em ponto cruz. Os trabalhos manuais ocupam parte da rotina e já se tornaram uma marca registrada. Quem visita sua casa frequentemente recebe de presente um pano de prato bordado por ela mesma.
Ao olhar para trás, Lourdes acredita que viveu duas aposentadorias. A primeira, quando deixou oficialmente o quadro do Tribunal, ainda jovem. A segunda, quando finalmente decidiu reduzir o ritmo e aproveitar o tempo conquistado ao longo de décadas de trabalho.
“Foi ótimo, porque aposentei muito nova. Só quando fiquei mais velha é que realmente me senti aposentada. Hoje estou em casa, bordando e cuidando das minhas plantas”, resume.
A história de Maria de Lourdes mostra que a aposentadoria pode abrir espaço para novas descobertas, fortalecer os laços familiares e permitir que antigos sonhos e paixões floresçam.
Assessoria de Comunicação do SINDJUSTIÇA | Ampli Comunicação






