A aposentadoria chegou oficialmente em 1995, mas, para Sirlene Divina dos Santos, ela nunca significou parar. Depois de duas décadas de atuação no Judiciário goiano, ela encontrou novos caminhos para continuar ativa, servindo às pessoas e construindo um legado que vai muito além da carreira.
Natural de Goianésia, Sirlene começou a trabalhar ainda na infância. Ao lado dos irmãos, ajudava a complementar a renda da família vendendo pirulitos na porta das escolas. Anos depois, ingressou no Judiciário e iniciou uma trajetória marcada pelo compromisso com o serviço público.
Assumiu inicialmente as atividades no cartório e, em 1975, foi efetivada no cargo de Contadora, Partidora e Distribuidora do Juízo. Também exerceu a função de escrivã eleitoral e atuou como porteira dos auditórios, sempre desempenhando suas funções com dedicação e honestidade.
“Sentia-me como se fosse uma autoridade, mas era apenas uma servidora procurando fazer o bem e ajudar quem precisasse”, relembra.
Em 1982, casou-se com Abel Ribeiro dos Santos. Três anos depois, nasceram os filhos gêmeos, Abel Júnior e Sibele. A maternidade trouxe novos desafios e, por um momento, ela pensou em deixar a profissão para se dedicar exclusivamente à família. A decisão mudou após uma conversa com o então juiz Gercy Bezerra Lino Tocantins, que a incentivou a conciliar a carreira com a vida de mãe.
Quando as mudanças tecnológicas começaram a transformar a rotina dos cartórios, Sirlene decidiu antecipar sua aposentadoria. A despedida da máquina de escrever também marcou o encerramento de um ciclo profissional.
Mas a aposentadoria foi apenas o início de uma nova etapa. Ao lado do marido, ela passou mais de 20 anos trabalhando em uma loja de móveis e eletrodomésticos da família. Somente durante a pandemia da Covid-19, em 2020, reduziu o ritmo e descobriu um novo significado para a palavra “aposentar”.
Hoje, aos 73 anos, dedica parte do tempo ao trabalho voluntário, mantém uma rotina ativa e continua acreditando que sempre há algo útil a ser feito.
“O sol nunca me pega na cama”, conta. Ela diz que não gosta de rotina, procura ocupar o tempo com atividades manuais e encara com serenidade as limitações impostas pela idade e pelos problemas de saúde. “Não sou de reclamar nem de ficar murmurando. Cuido do corpo, mas me preocupo ainda mais com a saúde da alma.”
Católica, encontra na fé a força para enfrentar os desafios da vida. Também considera sua maior missão manter a família unida. Casada há mais de quatro décadas, mãe de dois filhos e avó de três netos, acredita que os laços familiares são o maior patrimônio que alguém pode construir.
Leitora, escritora nas horas vagas e apaixonada por fazer surpresas e visitar amigos, Sirlene segue vivendo cada dia com gratidão e propósito.
Ela costuma comparar a vida a uma mala de viagem. Para ela, cada gesto de amor, cada boa ação, cada perdão concedido ou recebido ajuda a preparar essa bagagem para a grande jornada.
“Deus nos dá tempo para arrumar essa mala. O importante é enchê-la de boas obras, amor e perdão.”
A história de Sirlene mostra que a aposentadoria pode representar o encerramento de uma carreira, mas nunca de uma vocação. Continuar servindo, cuidar da família, cultivar a fé e viver com propósito são escolhas que seguem guiando seus dias.






