NA MÍDIA

Presidente do SINDJUSTIÇA aborda a representatividade feminina nos espaços de decisão em artigo do jornal O Popular

Mais mulheres nos espaços de decisão não é apenas uma pauta de representatividade, mas um caminho para uma sociedade mais justa.

No artigo publicado hoje no jornal O Popular, a presidente do SINDJUSTIÇA, Cristiana Abreu, propõe uma reflexão necessária sobre a presença feminina no Judiciário e sua relação direta com o enfrentamento da violência de gênero.

Ao destacar dados, trajetórias e desafios ainda presentes, o texto reforça um ponto central: ampliar a participação das mulheres é fortalecer a Justiça e a própria sociedade.

Leia o artigo completo.

Presença feminina e justiça

Cristiana Abreu

Passamos todo o mês de março compartilhando reflexões sobre o papel das mulheres na sociedade. Mas este não é um assunto que se restringe ao chamado mês das mulheres. É tempo de encarar com seriedade um desafio que ainda se impõe: a desigualdade de gênero nos espaços de poder e sua relação direta com a persistência da violência contra as mulheres em nosso meio.

Assumo, neste contexto, a nova gestão do Sindicato dos Servidores e Serventuários da Justiça do Estado de Goiás, o Sindjustiça, sendo a segunda mulher a presidir a entidade em 36 anos de existência. Um marco que, embora simbólico, revela o quanto ainda precisamos avançar para que a presença feminina em posições de liderança deixe de ser exceção.

Os dados são claros. As mulheres representam 64% da força de trabalho no Judiciário goiano. São maioria entre os servidores, sustentando, com excelência, o funcionamento diário da Justiça. No entanto, essa maioria ainda não se reflete plenamente nos espaços de decisão, embora há de se reconhecer que esta vem sendo gradualmente construída com iniciativas institucionais.

As discrepâncias nesses espaços refletem um processo histórico de construção das carreiras e da ocupação de espaços de liderança, que ainda exige avanços. Ao mesmo tempo, há um movimento de transformação, com incentivo à participação feminina e fortalecimento de políticas de inclusão no Judiciário.

Enquanto isso, fora dos tribunais, a violência de gênero segue em crescimento. Em 2025, o Brasil registrou 1.568 vítimas de feminicídio, um aumento de 4,7% em relação ao ano anterior. Desde a tipificação do crime, em 2015, mais de 13 mil mulheres foram assassinadas simplesmente por serem mulheres. No Centro-Oeste, Goiás concentra 33,9% dos casos da região.

Não é coincidência. A presença feminina nos espaços de decisão contribui para ampliar o olhar sobre as políticas públicas e fortalecer respostas mais eficazes no enfrentamento da violência. Quando diferentes perspectivas são consideradas, há mais condições de promover uma sociedade mais segura, justa e igualitária.

É preciso reconhecer que, por trás de cada mulher em posição de liderança, existem trajetórias marcadas por dedicação e superação. Elas conciliam múltiplas responsabilidades e seguem contribuindo de forma decisiva para a qualidade dos serviços prestados à sociedade.

São essas mulheres que fazem da governança um compromisso, da transparência um princípio e da eficiência uma prática cotidiana. São elas que ajudaram a transformar a Justiça goiana em referência nacional, reconhecida com o Selo Diamante do CNJ por quatro anos consecutivos.

À frente do Sindjustiça, assumo o desafio de fortalecer essas trajetórias e de contribuir para um ambiente cada vez mais representativo. Porque ampliar a presença feminina nos espaços de poder é também avançar na construção de uma sociedade mais igualitária e menos violenta para todas.

Cristiana Abreu é servidora do Judiciário aposentada e presidente do Sindicato dos Servidores e Serventuários da Justiça do Estado de Goiás (Sindjustiça)

Assessoria de Comunicação do SINDJUSTIÇA | Ampli Comunicação e jornal O Popular