Diversidade é tema de artigo exclusivo para o SINDJUSTIÇA

diversidadeCleber Nunes

Desigualdade, dessemelhança, discrepância, disparidade, distinção. Encontrei também outros sinônimos como: multiplicidade, pluralidade, variedade e sortimento.

Aonde todas estas palavras podem nos levar? A uma palavra muito em voga nos dias de hoje e que está quase se tornando a nova ordem mundial: diversidade. E, quando digo diversidade, falo da sua ampla conceituação, que vem da reunião daquilo que tem vários e distintos aspectos, ou mesmo na biologia, que identifica a abundância e a equitabilidade dos sistemas.

Mas o que eu quero realmente é entender o porquê desta palavra ainda não ser entendida como um fundamento da nossa própria existência. Se podemos ter ideias diferentes sobre infinitos assuntos é porque somos diversos, se podemos ajudar e sermos ajudados por outras pessoas com conhecimento ou habilidade, é porque somos diversos, se podemos ensinar e aprender ao mesmo tempo é porque somos diversos. Por isso, a diversidade precisa ser entendida não só como uma palavra encontrada nos livros de ciências do ensino fundamental , mas sim como uma premissa de convivência e respeito entre nós, seres humanos.

Conseguir enxergar o mundo com diversas cores, formatos, cheiros e sons é consequentemente entender que um ser vivo só poderá viver neste mundo se conseguir adequar-se à diversidade que o meio ambiente à sua volta propicia. Não é preciso ser um PhD em antropologia para saber que o que manteve a existência da espécie humana até os dias atuais foi a nossa capacidade de adequar-se a todas as mudanças, sejam elas climáticas ou sociais.

Vivemos em um mundo diverso, ponto. Mas nós, habitantes deste planeta, somos diversos? Ou reproduzimos atitudes para sermos aceitos por pessoas que desconhecem a importância da diferença e procuram ser aceitas pela sua igualdade de pensamento ou física?

Entender a diversidade como a essência humana nos faz evoluir para um sentimento de empatia com o outro, e nos faz melhor compreendedores das dialéticas do dia a dia. Muitas vezes, tais dialéticas, ao invés de nos aproximar como seres sociais e curiosos que somos, nos separam por medo do desconhecido, nos tornando algo que vai ao desencontro da nossa evolução: o preconceito.

Não importa –fomos e somos feitos para interagir como o nosso meio de tal forma que, mesmo aquilo que não conhecemos, no mínimo nos ensina e nos transporta do lugar de observadores para o de conhecedores daquilo que antes não nos permitíamos conhecer ou abominávamos.

Não quero neste texto levantar bandeiras (e poderia levantar várias), mas se você já entendeu que o diferente sob seu olhar é você sob o olhar de outra pessoa, então consegui chegar ao meu objetivo. Aqui não busco só o entendimento da diversidade enquanto raça, gênero, orientação sexual, ou aspecto socioeconômico, mas principalmente a diversidade de pensamento.

Pensar diversificadamente é evoluir de forma natural, sem esforço e é algo que propicia um ambiente mais inclusivo ao seu redor, além de trazer visibilidade e representatividade aos grupos que são tidos como minorias, tendo em vista a riqueza de cada cultura. Mudar é descobrir caminhos, caminhos abertos são oportunidades para o novo, o novo traz a busca pelo conhecimento e o conhecimento empodera.

Não tenho medo de mudar, ou pensar diferente, porque o que não muda está morto.

Cleber Nunes é executivo na Gerência de Políticas Públicas da Juventude da Secretaria de Governo, integrante do Conselho Estadual dos Direitos da Pessoa com Deficiência e do Conselho Estadual dos Direitos Humanos

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